BOTA ABAIXO
RELEASE
O Centro Cultural Carioca apresenta Bota Abaixo, o primeiro espetáculo de sua Companhia de Dança. Concebido, coreografado e dirigido por Isnard Manso, Bota Abaixo faz uma crônica, em ritmo de samba, sobre como a transformação política, física e social da então capital brasileira foi o cenário perfeito, nos primeiros anos do século 20, para o surgimento de uma das figuras mais emblemáticas da cultura carioca, o malandro. O espetáculo, que será encenado às 19h, é gratuito e aberto a todas as idades.
No elenco Viviane Soares, Kadu Vieira, Jorge Cândido, Ângelo Petersen, Isnard Manso, Rosângela Pinheiro e Jeferson Miranda, fundem a linguagem teatral à dança e utilizam o salão inferior do Centro Cultural Carioca, a calçada em frente à Rua do Teatro e o Largo Albino Pinheiro, para encenar o Bota Abaixo. Projeções em vídeo sobre uma tela em organza de nylon ajudarão a compor o cenário. Nos dias de espetáculo, a rua será fechada ao trânsito pela CET-Rio a partir das 18h.
O espetáculo Bota Abaixo contextualiza no início do século 20, em plena reforma do prefeito Pereira Passos, o nascimento de um novo comportamento do carioca. Momento fundamental da história do Rio de Janeiro, Pereira Passos empreendeu uma grandiosa reforma urbanística no Rio de Janeiro (1903-1906). De um lado, tornou o Rio um centro cosmopolita, saneado, com avenidas largas e uma noite cintilante. De outro, reprimiu com violência as manifestações das classes pobres, revoltadas com a derrubada de seus cortiços, episódio que ficou conhecido como Bota Abaixo. Desse conflito surge a figura do malandro, que abraça a marginalidade e reinventa a modernidade imposta aos miseráveis, transformando-se numa espécie de herói e mártir dessa resistência.
A Cia de Dança do Centro Cultural Carioca vai mostrar como essa “malandragem” define o comportamento do carioca até os dias de hoje. Apesar de não existir mais aquela figura caricata do malandro, ele está em todos nós. Nei Lopes dá um depoimento no espetáculo sobre malandragem: “Pelo que me consta não existem mais malandros, todos os malandros já se foram. Eles existem apenas no imaginário das pessoas”.